Obrigatório naqueles tediosos dias de chuva.
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Hiper relaxante, aproveite!
27 Novembro, 2009
06 Novembro, 2009
Brevíssimas reflexões e algumas provocações a respeito de arte
Você já se fez alguma dessas perguntas?
“Tudo o que perde a função vira arte. O passado inteiro é arte. (...) Também os objetos que usamos todos são arte só que ainda não têm o selo do passado.”
Para que o pintor seja artista é preciso que sua obra seja uma obra de arte? E o que é uma obra de arte? Quem a define obra de arte e sob que critérios? Artista é profissão?”
“Podemos considerar obras de arte trabalhos infantis?”
“... não há nenhum modo de demonstrar, hoje, na vasta maioria dos quadros expostos nas grandes mostras internacionais, se determinada obra é boa ou má, se é fruto de maestria artesanal, de mera habilidade ou de simples acaso.”
“... o motor verdadeiro da arte contemporânea é menos a necessidade expressiva culturalmente fundada do que o mecanismo de prêmios e prestígio que a condiciona.”
“Para quem fala o artista de hoje? Se não é para o público, se não é para a crítica, se não é para seus compradores – é para ninguém.”
“O artista tem como público precisamente aquela parte da sociedade da qual ele discorda de maneira radical.”
“Hoje a vanguarda tem mercado pronto. É condição de sucesso comercial fazer pintura de vanguarda.”
“A poesia pode exprimir uma consciência de mundo ou somente perplexidades?”
“Ele a escolhe (a poesia), precisamente, porque necessita escapar às contradições concretas de sua vida, e a poesia se lhe oferece um caminho – oferecendo-se ao mesmo tempo, como uma “nova realidade” mais perfeita e mais real.”
“Abstracionismo, surrealismo, dadaísmo, ao invés de encarados como expressão da crise, são tidos pelos críticos como invenção formal, de uma nova estética que relega o conteúdo a segundo plano.”
“Essa atitude ideológica em face do real suscita uma série de questões. Existe uma “verdadeira realidade” ou a realidade é um incessante transformar-se? A essência pode ser apreendida se se elimina a aparência? As formas ditas abstratas têm algum significado imanente? E, se têm, é possível articulá-las numa linguagem capaz de exprimir, de modo cada vez mais rico e profundo, as “verdades” subjacentes?”
(GULLAR, Ferreira - “Cultura posta em questão”, 1963; “Vanguarda e subdesenvolvimento”, 1969; e “Sobre arte”, 1982.)
“Tudo o que perde a função vira arte. O passado inteiro é arte. (...) Também os objetos que usamos todos são arte só que ainda não têm o selo do passado.”
Para que o pintor seja artista é preciso que sua obra seja uma obra de arte? E o que é uma obra de arte? Quem a define obra de arte e sob que critérios? Artista é profissão?”
“Podemos considerar obras de arte trabalhos infantis?”
“... não há nenhum modo de demonstrar, hoje, na vasta maioria dos quadros expostos nas grandes mostras internacionais, se determinada obra é boa ou má, se é fruto de maestria artesanal, de mera habilidade ou de simples acaso.”
“... o motor verdadeiro da arte contemporânea é menos a necessidade expressiva culturalmente fundada do que o mecanismo de prêmios e prestígio que a condiciona.”
“Para quem fala o artista de hoje? Se não é para o público, se não é para a crítica, se não é para seus compradores – é para ninguém.”
“O artista tem como público precisamente aquela parte da sociedade da qual ele discorda de maneira radical.”
“Hoje a vanguarda tem mercado pronto. É condição de sucesso comercial fazer pintura de vanguarda.”
“A poesia pode exprimir uma consciência de mundo ou somente perplexidades?”
“Ele a escolhe (a poesia), precisamente, porque necessita escapar às contradições concretas de sua vida, e a poesia se lhe oferece um caminho – oferecendo-se ao mesmo tempo, como uma “nova realidade” mais perfeita e mais real.”
“Abstracionismo, surrealismo, dadaísmo, ao invés de encarados como expressão da crise, são tidos pelos críticos como invenção formal, de uma nova estética que relega o conteúdo a segundo plano.”
“Essa atitude ideológica em face do real suscita uma série de questões. Existe uma “verdadeira realidade” ou a realidade é um incessante transformar-se? A essência pode ser apreendida se se elimina a aparência? As formas ditas abstratas têm algum significado imanente? E, se têm, é possível articulá-las numa linguagem capaz de exprimir, de modo cada vez mais rico e profundo, as “verdades” subjacentes?”
(GULLAR, Ferreira - “Cultura posta em questão”, 1963; “Vanguarda e subdesenvolvimento”, 1969; e “Sobre arte”, 1982.)
02 Novembro, 2009
Ferreira Gullar no Canal Livre (02/11/2009)
http://videos.band.com.br/v_39862_entrevista_com_o_poeta_ferreira_gullar__parte_1.htm
"É imprescindível saber lidar com a língua, quer dizer, se você não tem a capacidade técnica de fazer o poema, você não faz. Essa capacidade, ela é necessária mas não é suficiente. Porque o que determina o poema é uma coisa que, essa é indefinida, isso ninguém sabe, ninguém pode dizer o que é que é... que é o que se chamava antigamente de inspiração. É algo que ocorre que possibilita fazer o poema. Não adianta ter a técnica se não ocorrer essa outra coisa que eu pessoalmente chamo o espanto."
Entrevista com o poeta e ensaísta Ferreira Gullar.
"É imprescindível saber lidar com a língua, quer dizer, se você não tem a capacidade técnica de fazer o poema, você não faz. Essa capacidade, ela é necessária mas não é suficiente. Porque o que determina o poema é uma coisa que, essa é indefinida, isso ninguém sabe, ninguém pode dizer o que é que é... que é o que se chamava antigamente de inspiração. É algo que ocorre que possibilita fazer o poema. Não adianta ter a técnica se não ocorrer essa outra coisa que eu pessoalmente chamo o espanto."
Entrevista com o poeta e ensaísta Ferreira Gullar.
29 Outubro, 2009
Nem cinco minutos guardados
(Esboço intuitivo, A3, lápis)
Ich träum’ ich treff’ dich ganz tief unten
der tiefste Punkt der Erde, Mariannengrabenn, Meeresgrund
Zwischen Nanga Parbat, K2 und Everest,
das Dach der Welt dort geb’ ich dir ein Fest
Wo nichts mehr mir die Sicht verstellt
Wenn du kommst, seh’ ich dich kommen schon vom Rand der Welt
Es gibt nichts Interessantes hier
Die Ruinen von Atlantis nur
Aber keine Spur von dir
Ich glaub’ du kommst nicht mehr
wir haben uns im Traum verpasst
Du träumst mich ich dich
Keine Angst ich weck’ dich nicht
Bevor du noch von selbst erwachst
Über’s Eis in Richtung Nordpol dort wird’ ich dich erwarten
Werde an der Achse steh’n
Aus Feuerland in harter Traumarbeit zum Pol
wird alles dort sich nur um uns noch dreh’n
Der Polarstern direkt über mir
Dies ist der Pol ich warte hier
Nur dich kann ich weit und breit noch nirgends kommen seh’n
Ich wart’ am falschen Pol
Wir haben uns im Traum verpasst
Du träumst mich ich dich
Keine Angst ich finde dich
Bevor du noch von selbst erwachst
bitte, bitte weck’ mich nicht
solang ich träum’ nur gibt es dich...
Du träumst mich ich dich
Keine Angst ich weck’ dich nicht
Bevor du noch von selbst erwachst
Lass’ mich schlafend heuern auf ein Schiff
Kurs: Eldorado, Punt das ist dein Heimatort
Warte an der Küste such’ am Horizont
bis endlich ich sehe deine Segel dort
Doch der Käpt’n ist betrunken
und meistens unter Deck
Ich kann im Traum das Schiff nicht steuern
eine Klippe schlägt es Leck
Im Nordmeer ist es dann gesunken
Ein Eisberg treibt mich weg
Ich glaub’ ich werde lange warten
Punt bleibt unentdeckt
Wir haben uns im Traum verpasst
Du träumst mich ich dich
Keine Angst ich weck’ dich nicht
Bevor du noch von selbst erwachst
Du träumst mich ich dich
Keine Angst ich finde dich
Am Halbschlafittchen pack’ ich dich
und ziehe dich zu mir
Denn du träumst mich, ich dich
ich träum dich, du mich
Wir träumen uns beide wach
(Stella Maris, Einstürzende Neubauten, do álbum Ende Neu)
22 Outubro, 2009
02 Outubro, 2009
A derradeira infâmia
Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade ezilahda de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus.
(Chico Buarque, Pedaço de mim, 1977-1978,
para a peça Ópera do malandro. O grifo é nosso.)
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